Relendo Philip K. Dick

leituras

Ou, “o futuro já não é mais como era antigamente”, primeira parte.

Agora algo diferente do que habitualmente escrevo por aqui e a primeira parte do meu ciclo de releitura de Philip K. Dick (1928–1982) — um dos principais escritores do século passado que, para nossa felicidade, resolveu enveredar pelo gênero da ficção científica — sem uma ordem definida…

…e acompanhada dos quadrinhos de Guy Delisle (mas isto é outro assunto).

O primeiro pacote

Óbvio que não passarei nem perto de contar todo o enredo, muito menos o final. Nem ao menos considerarei isto aqui como uma resenha, no máximo uma introdução da história disfarçada de uma indicação de leitura.

VALIS

Lançado em 1978 e a história passa-se na mesma época, é a narrativa sobre o surto/iluminação de um sujeito complicado chamado Horselover Fat e de sua busca para o significado da experiência que vivenciou. É uma obra que reúne teologia, filosofia e até mesmo a própria definição do universo escrita pelo sr. Fat (é o apêndice que encerra o livro). É uma viagem, não para estrelas mas para dentro de si mesmo, algo que se tornaria popular com o movimento cyberpunk alguns anos mais tarde. Não é uma história fácil e foi justamente a razão dela encabeçar a lista.

A experiência vivida por Philip Dick/Hoselover Fat foi desenhada em quadrinhos por Robert Crumb.

Ubik

Mais que uma história de ficção científica, este título de 1966 é um conto de terror. O ano é 1992, nesta sociedade é você contrata telepatas para espionar as pessoas (invasão de privacidade?)  e em contrapartida quem pode se considerar espionado contrata agências de prudência que usam inerciais (telepatas que anulam poderes). O personagem principal é Joe Chip funcionário de uma agência de prudência que após uma fracassada missão na Lua começa a vivenciar estranhos fenômenos: comida, cigarros, dinheiro e outros objetos apodrecem, estragam ou simplesmente tornam-se obsoletos (retornando a suas versões anteriores).

A revista Time incluiu este livro na lista dos cem melhores romances escritos em língua inglesa.

Os três estigmas de Palmer Eldritch

Lançada em 1964 e a história se passa no (então) distante futuro de 2016 (daqui alguns meses), a Terra está superaquecida e como forma de garantir a sobrevivência da espécie humana a ONU gerencia um programa  colonização compulsória dos planetas e luas habitáveis no Sistema Solar. Para estes colonos, forçados a viver em um ambiente tão rústico só lhes resta a alternativa de fugir da realidade com o uso combinado de uma droga (a CAN-D) e da boneca Perky Pat e seu conjunto de acessórios onde podem passar alguns minutos em um estilo de vida caro e sofisticado — nem é preciso dizer que ambos são monopólio do mesmo indivíduo, o empresário/traficante Leo Bulero.

Nesta história, e também em outras, Dick reutilizou trabalhos anteriores sendo o mais facilmente identificável o conto “Os dias de Pat `Prafrente`” de 1963.

Fluam, minhas lágrimas, disse o policial!

Escrita em 1974 e passando-se no (então) futuro de 1988 apresenta uma realidade distópica de um estado totalmente controlado por forças policiais que após os conflitos da II Guerra Civil dos EUA mantém cercados campi universitários pelo país e envia opositores para campos de trabalho forçado (ou à morte). Neste mundo vive Jason Taverner, cantor popular e personalidade da TV que após um acidente acorda em uma outra realidade, tudo aparentemente está igual exceto o fato de que ele simplesmente não existe ali. Sem programa de TV, discos, fãs, identificação ou prova alguma da sua existência física. Um problema enorme numa sociedade onde batidas da polícia acontecem a cada momento.

Uma grande coincidência minha neste livro é o fato da história começar no dia 11/10 e eu acidentalmente ter começado minha (re)leitura também em 11/10, só que de 2015.

Fechando

Se tivesse que resumir as quatro histórias eu diria que ambas tratam da forma como percebemos, queremos perceber ou acreditamos que seja a realidade. Ambos os livros são editados no Brasil,  com traduções atuais, pela Editora Aleph — vale a pena conferir o catálogo de ficção científica — e edições antigas podem ser encontradas facilmente em sebos.

Philip Dick teve diversas histórias, geralmente as curtas, adaptadas para o cinema na forma de péssimos filmes. Porém os quatro livros que citei somente tiveram promessas de versões cinematográficas (direitos comprados, anúncio do estúdio e nada mais). Vale citar que Ubik teve uma versão em videogame lançada para para Playstation e Windows em 1998 e que cuja trama lembra vagamente a do livro.

Bem, até a segunda parte

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